Cecília chegou em Torres e logo desceu na rodoviária. Encantou-se com o lugar, o clima e o sotaque gaúcho. Não sabia onde, por quanto tempo, nem o que faria ali. Mas era exatamente esse o objetivo.
Antes de deixar sua cidade natal, Cecília procurou seu então namorado e colocou um ponto final no relacionamento:
- Jorge, precisamos conversar.
- Diga, Cecília.
- Decidi que não te quero mais. Cansei. Esgotei todas as possibilidades de darmos certos. Esperava ter um futuro com você, ter filhos, mas tudo que você fez, foi trazer péssimos pensamentos e vontades de hábitos antigos que já não fazem mais parte de mim. Não quero isso mais na minha vida. Quero ser feliz, independente se sozinha ou com alguém. Fiz de tudo, Jorge. Juro por Jesus Cristinho que está lá no céu, fiz de tudo. Entrego esse namoro nas suas mãos com o coração partido. Suas vontades passaram por cima de nossos sentimentos, e eu sempre quis o mundo. Mas o que tive com você foi um mundo fechado. Quis muito um futuro ao seu lado. E olha que loucura, pensei em abrir mão de todos os meus sonhos, por você. Sobrepus os seus sonhos aos meus, e não tive retorno. Sinto muito. Não por mim, pois sei que fiz o que pude - mesmo sendo louca às vezes. Sinto muito por você, Jorge. Quem acordará amanhã se lamentando por este fim, pensando que poderia ter feito diferente, será você. Amanhã acordarei em uma cidade bem longe daqui, bem longe de você, bem longe de toda essa loucura que minha vida se tornou. Eu te amei, te amei muito. Seja melhor com a próxima pessoa que você amar, ou seja melhor com você mesmo. Você merece ser feliz. Você precisa tratar esse vício seu. Você merece ser feliz com quem quer que seja, Jorge.
E assim foi embora. Jorge a olhou atônito. Nunca havia visto Cecília tão decidida, sem olhar para trás. Sem deixá-lo dizer uma palavra. Mas o segredo de Cecília conseguir ir embora sem olhar para Jorge, residia justamente aí. Não deixar as palavras dele amolecerem seu coração novamente. Cecília realmente precisava ir embora.
E foi.
Primeira coisa que Cecília fez ao chegar em seu primeiro destino, foi procurar um hostel para se hospedar. Era maio, e logo foi informada que estava acontecendo um Campeonato de Balonismo em Torres. Cecília se encantou, sempre achou balões lindos e mágicos, que davam a possibilidade de enxergar mais longe. Logo chegou em uma reunião em volta de uma fogueira à noite. Já quase na beirada da praia. E lá sentou e começou a conversar com todas as pessoas à sua volta.
Todos estavam imensamente curiosos, o que aquela mineira fazia ali perdida e sozinha? Então começaram o interrogatório: "nome, idade, cidade de origem, cidade de destino, o que fazia da vida...". Só não sabiam que Cecília omitiria a maior parte da verdade. Cecília não queria mais ser a velha Cecília, a Cecília de seus pais, a Cecília de sua cidade no interior de Minas, a Cecília de Jorge, a Cecília de seus amigos, a Cecília de seu curso. Cecília queria ser somente Cecília.
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domingo, 24 de maio de 2015
sem lenço e nem documento - capítulo II
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sábado, 7 de dezembro de 2013
past and furious
de repente eu era uma criança novamente. totalmente entregue aos meus sentimentos, totalmente entregue às emoções e todo o momento que ali se passava. uma mensagem. de repente parecia que tinham acabado de me dar uma nova boneca. outra mensagem. um vestido novo para minha nova boneca. uma lembrança às oito da manhã. e era a tão sonhada casa da barbie. mas nem tudo era tão cor-de-rosa. só que as coisas começaram a acontecer no momento errado. eu sempre disse a ele que o valor viria com o tempo, e com outra pessoa. ele nunca me escutou... achava bobagem, achava mais uma besteira que eu soltava aos quatro ventos. ele conheceu outras pessoas... várias. eu conheci alguém. especial. as várias passaram, assim como todas as outras de sua vida. o meu especial veio para ficar. e dessa vez queria que ficasse. de repente ele viu que eu era a especial, mas de repente ele não era mais o meu especial. pensava dia e noite como eu pude lhe esquecer tão rápido. mal sabia ele que lutei até o último instante por nós. sonhei, fiz planos, e tentei concretizá-los. enquanto ele, ao perceber como as coisas andavam rápido, simplesmente fugiu. ele vivia fugindo. de lugares e de pessoas.
ele ainda quer, eu ainda sinto. mas não é mais hora. passou... tudo passou.
[imagination]
ele ainda quer, eu ainda sinto. mas não é mais hora. passou... tudo passou.
[imagination]
domingo, 24 de fevereiro de 2013
Vivido.
Há muito tempo me fizeram acreditar que o melhor amor é aquele amor que não foi vivido, aquele que nunca foi usado e nunca foi machucado. Às vezes por isso eu segui e continuei gostando e acreditando em um amor por um certo alguém por sete anos seguidos. Achando que aquilo sim era amor.
Há quase um mês, me mostraram que o melhor amor é aquele amor vivido, principalmente intensamente. Aquele que a gente dorme e acorda do lado da pessoa, e mesmo assim sente saudade. Aquele amor que sente saudade quando separados por duas portas, esperando ansiosamente o dia amanhecer para matá-la. Aquele amor que a gente acorda de manhã, bem cedinho, pra poder sentir mais falta. Aquele amor que a gente não quer dormir nunca mais, para só então poder extrair todo o amor. Aquele amor que a gente dorme pro tempo longe passar bem depressa.
Um amor ainda não vivido por inteiro, que cada dia se mostra mais, que cada dia vive-se mais e aprende-se a amar juntos. Um amor construído juntos, sem barreiras, composto apenas de saudade e de bem querer. Um amor que foi imaginado, que teve medo da química do beijo não dar certo. Um amor que teve medo até do amor não dar certo. E no fim, foi tudo melhor que o imaginado.
Um amor que cada dia promete mais, e cumpre. É sempre melhor que as expectativas. Que dois dias longe, parecem uma eternidade. Um amor que me faz ser diferente, querer ser uma pessoa melhor. Um amor que me tira a raiva, a mágoa, a sede de vingança, que me fez melhor e me faz melhor a cada dia.
Não sei se vai durar um mês ou se por toda eternidade, sei que esse amor tem sido o melhor amor que já tive. Assim continuará. No que depender de mim, sim.
Há quase um mês, me mostraram que o melhor amor é aquele amor vivido, principalmente intensamente. Aquele que a gente dorme e acorda do lado da pessoa, e mesmo assim sente saudade. Aquele amor que sente saudade quando separados por duas portas, esperando ansiosamente o dia amanhecer para matá-la. Aquele amor que a gente acorda de manhã, bem cedinho, pra poder sentir mais falta. Aquele amor que a gente não quer dormir nunca mais, para só então poder extrair todo o amor. Aquele amor que a gente dorme pro tempo longe passar bem depressa.
Um amor ainda não vivido por inteiro, que cada dia se mostra mais, que cada dia vive-se mais e aprende-se a amar juntos. Um amor construído juntos, sem barreiras, composto apenas de saudade e de bem querer. Um amor que foi imaginado, que teve medo da química do beijo não dar certo. Um amor que teve medo até do amor não dar certo. E no fim, foi tudo melhor que o imaginado.
Um amor que cada dia promete mais, e cumpre. É sempre melhor que as expectativas. Que dois dias longe, parecem uma eternidade. Um amor que me faz ser diferente, querer ser uma pessoa melhor. Um amor que me tira a raiva, a mágoa, a sede de vingança, que me fez melhor e me faz melhor a cada dia.
Não sei se vai durar um mês ou se por toda eternidade, sei que esse amor tem sido o melhor amor que já tive. Assim continuará. No que depender de mim, sim.
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quarta-feira, 23 de maio de 2012
1,99
- não sei porquê você fez isso, mas você me fez querer desistir de você.
- você me faz querer desistir de você a todo instante, mas eu luto contra isso.
- você não valoriza o que eu sinto por você, só sabe me esculachar.
- olha, até tento valorizar. mas não dá mais. não consigo mais ver você saindo por aquela porta, prometendo mais uma vez que tudo será diferente e eu ver só seu perfume diminuindo dentro do armário.
- eu fiz de tudo por você.
- fez. para me perder.
- não, me escuta, eu te amo. fica comigo mais um pouco.
- você nem pergunta mais, você afirma. cansei de ficar mais um pouco. de pouco em pouco foram-se anos.
- eu sei que eu virei as costas quando você mais precisou, mas sei o quanto você cresceu nesse tempo longe, algumas vezes até duvidei que era você mesma. jurei que quando eu te largasse você se jogaria da primeira ponte que aparecesse, e você foi mais forte. naquela tarde em que você me ligou e apareceu na porta da minha casa aos prantos, eu me balancei. eu afirmei o quanto te amava, mesmo sabendo que não podia mais, que você não me pertencia mais. eu tive que ser forte, tive que ter pulso firme e não pedir pra voltar contigo. sei que arrumei outra pessoa pra minha vida, achei que conseguiria seguir esse caminho sozinho, depois de tantos anos preso em você, mas notei que preciso de alguém pra sobreviver. e percebi também que você não precisa, você precisa somente de você. você é meio egoísta mesmo.
- ah legal, quando você começa a falar as verdades, você vem e começa a me acusar novamente.
- desculpa, amor.
- amor não.
- força do hábito nunca se perde, mesmo que quase dois anos depois.
- você sabe que essa conversa não poderia existir.
- sei, por isso tô aqui. durante todas nossas brigas eu afirmei que você arrumaria outra pessoa logo que acabasse, foi diferente. você, que se mostrava tão dependente de mim, se mostrou tão independente, parece que aprendeu a gostar da sua própria companhia. eu, que me mostrava tão independente, me mostrei bastante dependente, tive que arranjar alguém para ocupar seu lugar e cuidar de mim. me senti meio perdido. às vezes ainda me sinto.
- é, também. mas só às vezes.
- às vezes sinto sua falta, seja como amiga ou sei lá o quê.
- sei lá o quê?
- é.
- bem que eu sempre disse, eu te considerava namorado. agora você, me considerava sei lá o quê.
- tá vendo porquê terminamos? você e suas crises filosóficas de sempre.
- desculpa desvirtuar o assunto. continue, afinal é você que quis começar essa conversa.
- olha, queria te falar que é muito bom te ver com esse sorriso contagiante no rosto, parece que aquela nuvem negra que você carregava sobre sua cabeça sumiu, espero que ela não tenha sido por minha causa, você se mostrou alguém tão feliz, tão boa, tão crescida, tão madura. e às vezes imatura.
- tá. eu sei que ando imatura.
- mas o que mais me parece é que finalmente você se achou, e eu tenho medo de ter perdido você pra sempre.
- você sabe a verdade.
- sei, eu nunca te tive. você sempre foi dele.
- dele quem?
- não se faça de boba. ele. aquele que eu disse que era o cara que você mais gostou na vida, aquele mesmo que eu disse que em lista de preferência ele vinha em primeiro lugar. aquele que prefiro não citar o nome, porque dói.
- isso é constrangedor.
- muito. eu soube de vocês de mãos dadas no nosso restaurante preferido, e soube de vocês trocando beijos no meio dos meus amigos, e soube também de vocês dando as mãos por baixo da mesa.
- peraí. você soube do dia das mãos por baixo da mesa? como?
- quando você chegou em casa, disse o nome de todas as pessoas que estavam, eu sabia que estavam só vocês dois, e principalmente que aquela noite teve sorrisos, mãos dadas por baixo da mesa, vinho e alguns beijos. eu só relevei. eu sofri cada instante, eu sabia que você gostava mais dele do que de mim.
- não é isso. era um amor diferente.
- sim. era diferente, o dele era verdadeiro, o meu não existiu.
- existiu sim.
- não, você tentou compensar, mas... vamos deixar esse papo de lado. só queria dizer que às vezes sinto sua falta.
- eu também.
- você me faz querer desistir de você a todo instante, mas eu luto contra isso.
- você não valoriza o que eu sinto por você, só sabe me esculachar.
- olha, até tento valorizar. mas não dá mais. não consigo mais ver você saindo por aquela porta, prometendo mais uma vez que tudo será diferente e eu ver só seu perfume diminuindo dentro do armário.
- eu fiz de tudo por você.
- fez. para me perder.
- não, me escuta, eu te amo. fica comigo mais um pouco.
- você nem pergunta mais, você afirma. cansei de ficar mais um pouco. de pouco em pouco foram-se anos.
- eu sei que eu virei as costas quando você mais precisou, mas sei o quanto você cresceu nesse tempo longe, algumas vezes até duvidei que era você mesma. jurei que quando eu te largasse você se jogaria da primeira ponte que aparecesse, e você foi mais forte. naquela tarde em que você me ligou e apareceu na porta da minha casa aos prantos, eu me balancei. eu afirmei o quanto te amava, mesmo sabendo que não podia mais, que você não me pertencia mais. eu tive que ser forte, tive que ter pulso firme e não pedir pra voltar contigo. sei que arrumei outra pessoa pra minha vida, achei que conseguiria seguir esse caminho sozinho, depois de tantos anos preso em você, mas notei que preciso de alguém pra sobreviver. e percebi também que você não precisa, você precisa somente de você. você é meio egoísta mesmo.
- ah legal, quando você começa a falar as verdades, você vem e começa a me acusar novamente.
- desculpa, amor.
- amor não.
- força do hábito nunca se perde, mesmo que quase dois anos depois.
- você sabe que essa conversa não poderia existir.
- sei, por isso tô aqui. durante todas nossas brigas eu afirmei que você arrumaria outra pessoa logo que acabasse, foi diferente. você, que se mostrava tão dependente de mim, se mostrou tão independente, parece que aprendeu a gostar da sua própria companhia. eu, que me mostrava tão independente, me mostrei bastante dependente, tive que arranjar alguém para ocupar seu lugar e cuidar de mim. me senti meio perdido. às vezes ainda me sinto.
- é, também. mas só às vezes.
- às vezes sinto sua falta, seja como amiga ou sei lá o quê.
- sei lá o quê?
- é.
- bem que eu sempre disse, eu te considerava namorado. agora você, me considerava sei lá o quê.
- tá vendo porquê terminamos? você e suas crises filosóficas de sempre.
- desculpa desvirtuar o assunto. continue, afinal é você que quis começar essa conversa.
- olha, queria te falar que é muito bom te ver com esse sorriso contagiante no rosto, parece que aquela nuvem negra que você carregava sobre sua cabeça sumiu, espero que ela não tenha sido por minha causa, você se mostrou alguém tão feliz, tão boa, tão crescida, tão madura. e às vezes imatura.
- tá. eu sei que ando imatura.
- mas o que mais me parece é que finalmente você se achou, e eu tenho medo de ter perdido você pra sempre.
- você sabe a verdade.
- sei, eu nunca te tive. você sempre foi dele.
- dele quem?
- não se faça de boba. ele. aquele que eu disse que era o cara que você mais gostou na vida, aquele mesmo que eu disse que em lista de preferência ele vinha em primeiro lugar. aquele que prefiro não citar o nome, porque dói.
- isso é constrangedor.
- muito. eu soube de vocês de mãos dadas no nosso restaurante preferido, e soube de vocês trocando beijos no meio dos meus amigos, e soube também de vocês dando as mãos por baixo da mesa.
- peraí. você soube do dia das mãos por baixo da mesa? como?
- quando você chegou em casa, disse o nome de todas as pessoas que estavam, eu sabia que estavam só vocês dois, e principalmente que aquela noite teve sorrisos, mãos dadas por baixo da mesa, vinho e alguns beijos. eu só relevei. eu sofri cada instante, eu sabia que você gostava mais dele do que de mim.
- não é isso. era um amor diferente.
- sim. era diferente, o dele era verdadeiro, o meu não existiu.
- existiu sim.
- não, você tentou compensar, mas... vamos deixar esse papo de lado. só queria dizer que às vezes sinto sua falta.
- eu também.
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domingo, 13 de maio de 2012
in box
suas coisas estão ali no canto da sala vazia. Acho impressionante como sete anos couberam dentro de uma caixa. Talvez porque nós dois já sabíamos aonde iríamos chegar. Você foi levando suas coisas, todas as vezes, e sempre deixando um pouco também.
Não te reconheço mais, e às vezes demoro a me reconhecer quando me olho no espelho. Vejo o começo de umas marcas de expressão, vejo alguns quilos a mais em alguns dias, e alguns quilos a menos em outros, vejo o cabelo mais claro, e sinto falta da inocência que me traz a você.
Sete anos. S-E-T-E A-N-O-S. Não quero pensar no tempo, ele foi tão traiçoeiro comigo. Quando eram apenas dois meses tudo que pensava era "ah, foram só dois meses. mais um amor e uma dose de vodka e já era". Hoje penso "sete anos, mais três amores e mais três doses de vodka pra ajudarem a aguentar mais sete anos".
Dizem pelos cantos que aos sete anos é a crise do relacionamento. Quisera eu ter um relacionamento para ter uma crise e para acabar logo com isso.
Também dizem pelos cantos que você está apaixonado. Por outra. Assim como dizem que eu estou caidinha por uma pessoa, que não é você. Que até abro um sorriso gigante e sinto vontade de gritar ao mundo quando recebo uma mensagem. E fico calada. Não quero que ninguém saiba do meu novo amor. Ou minha nova paixão.
Só quero que aconteça. Assim como quero que aconteça para você.
Não planejo mais uma viagem pro outro lado do mundo, só quero planejar umas viagens aqui, outras acolá, às vezes até uma pela Europa, desde que fique longe de você.
E planejo todo amor do mundo pra você. E pra mim. Juntos ou não.
Fechei sua caixa. Coube tudo. Só não coube meu amor, que continua aqui. Mas daqui uns dias vem uma pessoa, entra e tira ele daqui. Eu juro.
terça-feira, 8 de maio de 2012
Go away
Todos os dias, às 23h56min, eu sento e penso em toda essa bagunça que nós nunca conseguimos organizar. Me pergunto porquê ainda insisto, e me pergunto mais ainda porquê você ainda insiste. Ambos temos outras pessoas, mesmo que passageiras. Um amor ali, outro amor acolá. E uma saudade aqui.
Eu viro as costas mais uma vez para você e digo adeus, com o pensamento fixo de 'até nunca mais'. Dentro de exatas vinte e quatro horas você vem e bate na minha porta novamente, dizendo bem baixinho e pedindo com aquela cara que só você sabe fazer "posso ficar mais um pouco? juro que não demoro!" e eu deixo. Você deita no sofá, tira os sapatos, eu te faço um café. A gente conversa até o amanhecer e de repente toda aquela raiva desaparece, assim como toda a minha felicidade longe de você também.
Logo adormeço nos seus braços, bem ali no sofá mesmo, e acordo na cama. Sozinha mais uma vez. Procuro você por toda a casa, e só encontro seu perfume, bem fixo ali, no meu ombro, no sofá, e no portal da cozinha - aonde você se encosta enquanto faço o café.
Mais uma vez você se foi, consigo ainda ver pela janela você virando a esquina, com os sapatos nas mãos, e uma loira gordinha nos braços. Acho que ela não sabe de nós, mas você sabe.
Dessa vez eu realmente espero que você tenha ido e não volte a bater na minha porta.
Ledo engano. O dia começa a amanhecer e meu telefone logo toca "posso ficar um pouco com você? prometo que é a última vez...". E você vai ficando, ficando, e esquece de ir embora.
sexta-feira, 27 de abril de 2012
Au revoir
Por todo o tempo que você esteve com as demais pessoas, conseguiu esconder quem era você. De mim, infelizmente, ou felizmente, você jamais conseguiu esconder.
Decorei cada passo seu. Cada manhã, tarde, noite e madrugada que passamos juntos. E agora vejo tudo como um filme preto e branco, passando bem lentamente. Os detalhes principalmente, o boné, o óculos, a buzina, um lençol, um pedaço de madeira da janela, uma taça de vinho. Cada um no seu tempo, cada um na sua hora.
"Com tantos peixes no oceano, por quê escolher você?"
Eu, na maioria das vezes, mostrei tudo de mim. Cada sentimento, cada parte, cada palavra. Das poucas vezes que escondi, você as descobriu. Infelizmente, talvez. Cada número.
Página virada de um livro que eu achei que nunca teria fim. Principalmente nos últimos tempos, um sofrimento demasiado por uma coisa incerta.
I don't love you anymore. Since now. I would have love you, forever. Now, please go.
THE END.
sábado, 17 de março de 2012
puzzle
Às vezes só gostaria que nossos corpos não parecessem um confuso quebra-cabeça que se encaixa perfeitamente bem.
quarta-feira, 14 de março de 2012
no caderno escrito
(...)
Por todo o caminho ela só sentia suas bochechas coradas, seu cabelo desarrumado e dava um jeito de abrir seus cadernos e fazer piada sobre seus estudos. E ele só sabia dizer como as coisas eram diferentes quando tinham os dois na mesma frase e situação. Chegando no ponto final, se despediram com um beijo. Não foi um beijo de despedida, foi um beijo de até logo. E todos olharam pra ela, todos já sabiam. Menos ela. Ela só sabia alegar que era uma brincadeira, uma amizade.
Passados duas horas do último beijo, seu telefone tocou. Era ele, ele queria vê-la. Pensou ela que poderia ser mais uma vez um adeus, vindo de uma pessoa que ela nunca gostaria de dizer adeus. Quando ele a viu, ele só soube explanar sobre essas duas horas que ele gostaria de estar com ela e não pôde.
Ela tímida. Ele era o segundo homem da vida dela, ela imaginava que ele não seria o próximo, o que não sabia é que ele seria o último.
Sentaram e passaram mais uma tarde juntos. Junto com o pôr-do-sol, veio a hora de dizer "até logo". O telefone dele tocou, e mais uma vez ela foi escondida. O que fez foi tomar um banho e colocar seu pijama. Aquele, que ele gostava tanto. E esperar por mais uma ligação de madrugada.
Três horas da manhã seu telefone tocou, como sempre, era ele.
- eu quero outra tarde dessas. e ah, outra manhã dessas.
- não podemos fazer isso.
- por quê não? foi ruim?
- não. é que é errado.
- quem julga o errado?
- eu sei que é errado. você gosta dela, ela gosta de você. sou uma terceira perdida nessa história.
- você foi feita pra durar.
- não com você.
- mas nossa amizade...
- amizade é diferente.
- eu gosto quando você fica vermelha, seja de tesão, ou seja de vergonha.
- pronto, estou vermelha.
- não posso te ver.
- eu sei. nem deveria mais me ver.
- mas você quer?
- não. eu insisto nesse erro.
- vamos ver até onde vamos.
- okay.
E cá estamos, seis anos e meio depois, insistindo nesse erro. Mas isso é história pra outra hora. Olha, o lustre do seu quarto continua o mesmo, só sua cama que diminuiu um pouco. Crescemos. A minha vai aumentar.
(...)
terça-feira, 25 de maio de 2010
Saudades do nosso lugar
26-o5-2o1o
Nesse instante olho pro lado e vejo você cochilando no meu ombro, nós dentro de um ônibus. Então assim eu tiro um cochilo após um dia agitado, rodamos mais de 1ookm pelo RN e foi um dia muito bom. Estamos indo para um lugar só para conhecer mesmo e passarmos a noite. No outro dia a gente volta para Natal. Chegamos? Todos estão descendo! É aqui? Sim! Que lugar estranho...
Onde fica a rua Albacora? Segue reto... Mala pesada! A gente consegue suportar o peso se segurarmos isso juntos... Nossa! Que subida... Chegamos, ufa! Que legal, temos uma 'casinha' só pra gente =) Mesinha na varanda, rede, cama de casal, tv, banheiro com chuveiro e um pequeno jardim. Banho, descanso. Hora de sair.
Que lugar legal!!! Vamos comprar uns energéticos, assim conseguimos ficar acordados... E lá se foi um litro de energético com coca-cola. Então vamos naquele barzinho que toca reggae? Vamos! Quando é o couvert? Nada?! Comassim?
Uma cerveja, duas cervejas, três cervejas... olha a praia daqui de cima!!! O barulho das ondas... que lugar legal. Vamos pra rua! Olha, parece que a festa é por aqui... Cadê a boate? Segue reto toda vida? Achamos! Que horas começa? 3h? DA MANHÃ? okaaay...
Opa, hora de ir pra casa! Ops... nossa casinha. São quase sete da manhã e queremos ainda pegar praia cedo! Olha, o hippie quer papo! Oi Barros! Pode fazer o quadrinho sim... também tenho vontade de virar hippie e pegar estrada pela vida... Você será um grande artista um dia!
Agora já é hora de aconchego, dormir de conchinha, e muito chamego!
Ops... hora de acordar, tomar café e praia! Café/almoço no deck de um restaurante fechado. Banho na água calma. Tatuagem com nosso símbolo. Hora de se aventurar pelo mar. Ver golfinhos e realizar um sonho, mais um com você! Tudo parece tão mais fácil, você está ao meu lado, segurando minha mão... até pular em alto mar eu pulo, OLHA! Estou nadando em alto mar... aaah você! Hora de caminhar até a famosa Praia do Amor...
PUTZ!
Que lugar bonito, quero morar aqui. Com você, claro. É a nossa praia. É a nossa onda. É a nossa areia. É a nossa rede. É o nosso aconchego. É o nosso conforto. É nosso amor. Na Praia do Amor.
Hoje solto pipa pra me lembrar de Pipa-RN e me levar pra mais perto de você! Quem sabe ela não consiga me carregar pra perto de você agora?
Amo.

F.
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quinta-feira, 25 de março de 2010
Talvez a última...
25-03-2010
Acabo de descobrir que tenho vontade de te escrever somente quando você se vê sozinha, quando você se vê triste e prestes a finalizar seus planos.
Querida, não foi isso que eu quis para o fim, aliás, nem sei desde quando quis um fim, acho que não queria. Mas a hora chegou, foi inevitável, fomos levando, levando, até chegar este momento. Sempre houve segunda chance, a qual era zerada quando se chegava a terceira vez.
Ambos sabemos que de Santa você não tem nada, comete seus deslizes também, mas como 1+1 são 2, tenho lá minhas dúvidas que você alguma vez tenha feito tamanha coisa. Você tá sempre tentando se controlar para não poder perder a cabeça, para levar as coisas adiante. Conversou e de nada adiantou.
Aconteceu a primeira das últimas vezes há exatamente três semanas. Você se prometeu, prometeu a outras duas pessoas que não teria a segunda vez. Espero que não decepcione uma grande amiga sua. Senão ela poderá te decepcionar com a mesma promessa dela.
Não vem mais lágrimas nos seus olhos quando você pensa nisso, talvez porque seja um alívio, tirando um peso das costas. Talvez porque você já pensou no que aconteceria no decorrer desse um ano e cinco meses adiante. Talvez porque você, sempre, sofra por antecedência.
Às vezes é melhor sofrer por agora do que sofrer mais adiante.
Como você vai conseguir continuar confiando dessa forma que você nunca confiou? Aliás, confiou e se quebrou toda a confiança.
Você sempre fala que não vai ligar, que vai esperar, que consegue esperar, mas são 04:39am, você trabalha amanhã, você tem responsabilidades, você tem um futuro a cuidar, você tem coisas a estudar, uma viagem a fazer, contas a pagar... e onde está? Aqui. Aguardando quem tampouco se preocupa contigo. Quem causa olheiras e mais olheiras nos seus olhos. Não, não são olheiras de noites vividas, mas sim de noites mal dormidas.
De verdade, por mais que nosso coração possa contestar, não merecemos isso. Sua saúde anda abalada, sua conta bancária defasada, seus estudos já não são mais seus. Não consigo mais te reconhecer. Não mesmo.
Cadê aquela menina que conheci há quatro anos? Que disse que gostaria de viver, viajar, ser feliz, mesmo que fosse solteira, mesmo que não tivesse ninguém? Cadê aquela mulher que era tão segura de si, que por mais que nunca cuidasse da aparência estava sempre bonita, de tênis, camiseta e jeans? Cadê você? Por quê se esconde atrás de alguém que nem olha pra trás pra saber como você está?
Você realmente precisa se valorizar. Não sei como tirará forças para tal fim. Não sei de onde. Você se esgotou, deu todas as chances, fez tudo que pode, fez além... Fez tudo que não podia fazer. Pelo menos você sabe que saiu dessa ganhando, que não se arrependerá de não ter feito, talvez de ter feito. Mas eu sei que até hoje aquele lema você leva: "antes arrepender de ter feito do que arrepender de não ter feito".
Seja sincera com você, você merece?
Você merece mesmo isso tudo, mesmo depois das palavras de força que ouviu hoje, incentivos ao seu concurso, ao seu futuro? Sabe, seu futuro não depende apenas dos estudos, mas também e muito do seu sentimental. O que eu vejo que não anda bem. E tudo isso tem uma causa, e a causa você conhece, mas não reconhece.
Bem, o que lhe resta é pensar. Se dê um tempo, saia, não abstraia, leve em conta tudo, cada palavra, cada vírgula, principalmente, cada promessa. As promessas valem muito, sabia?
Seja feliz, minha Flor. Aliás, só pra te lembrar, seja só minha, só sua, não seja de mais ninguém. Seja alguém que todos queiram estar perto, mas nunca alguém que todos queiram somente para si, novamente.
Querida, não foi isso que eu quis para o fim, aliás, nem sei desde quando quis um fim, acho que não queria. Mas a hora chegou, foi inevitável, fomos levando, levando, até chegar este momento. Sempre houve segunda chance, a qual era zerada quando se chegava a terceira vez.
Ambos sabemos que de Santa você não tem nada, comete seus deslizes também, mas como 1+1 são 2, tenho lá minhas dúvidas que você alguma vez tenha feito tamanha coisa. Você tá sempre tentando se controlar para não poder perder a cabeça, para levar as coisas adiante. Conversou e de nada adiantou.
Aconteceu a primeira das últimas vezes há exatamente três semanas. Você se prometeu, prometeu a outras duas pessoas que não teria a segunda vez. Espero que não decepcione uma grande amiga sua. Senão ela poderá te decepcionar com a mesma promessa dela.
Não vem mais lágrimas nos seus olhos quando você pensa nisso, talvez porque seja um alívio, tirando um peso das costas. Talvez porque você já pensou no que aconteceria no decorrer desse um ano e cinco meses adiante. Talvez porque você, sempre, sofra por antecedência.
Às vezes é melhor sofrer por agora do que sofrer mais adiante.
Como você vai conseguir continuar confiando dessa forma que você nunca confiou? Aliás, confiou e se quebrou toda a confiança.
Você sempre fala que não vai ligar, que vai esperar, que consegue esperar, mas são 04:39am, você trabalha amanhã, você tem responsabilidades, você tem um futuro a cuidar, você tem coisas a estudar, uma viagem a fazer, contas a pagar... e onde está? Aqui. Aguardando quem tampouco se preocupa contigo. Quem causa olheiras e mais olheiras nos seus olhos. Não, não são olheiras de noites vividas, mas sim de noites mal dormidas.
De verdade, por mais que nosso coração possa contestar, não merecemos isso. Sua saúde anda abalada, sua conta bancária defasada, seus estudos já não são mais seus. Não consigo mais te reconhecer. Não mesmo.
Cadê aquela menina que conheci há quatro anos? Que disse que gostaria de viver, viajar, ser feliz, mesmo que fosse solteira, mesmo que não tivesse ninguém? Cadê aquela mulher que era tão segura de si, que por mais que nunca cuidasse da aparência estava sempre bonita, de tênis, camiseta e jeans? Cadê você? Por quê se esconde atrás de alguém que nem olha pra trás pra saber como você está?
Você realmente precisa se valorizar. Não sei como tirará forças para tal fim. Não sei de onde. Você se esgotou, deu todas as chances, fez tudo que pode, fez além... Fez tudo que não podia fazer. Pelo menos você sabe que saiu dessa ganhando, que não se arrependerá de não ter feito, talvez de ter feito. Mas eu sei que até hoje aquele lema você leva: "antes arrepender de ter feito do que arrepender de não ter feito".
Seja sincera com você, você merece?
Você merece mesmo isso tudo, mesmo depois das palavras de força que ouviu hoje, incentivos ao seu concurso, ao seu futuro? Sabe, seu futuro não depende apenas dos estudos, mas também e muito do seu sentimental. O que eu vejo que não anda bem. E tudo isso tem uma causa, e a causa você conhece, mas não reconhece.
Bem, o que lhe resta é pensar. Se dê um tempo, saia, não abstraia, leve em conta tudo, cada palavra, cada vírgula, principalmente, cada promessa. As promessas valem muito, sabia?
Seja feliz, minha Flor. Aliás, só pra te lembrar, seja só minha, só sua, não seja de mais ninguém. Seja alguém que todos queiram estar perto, mas nunca alguém que todos queiram somente para si, novamente.
F.
domingo, 21 de junho de 2009
Razão...
2o-o6-o9
"A razão é como uma equação de matemática, tira a prática de sermos um pouco mais de nós."
Podemos conversar? gostaria de ter uma chance de explicar a você porque chegamos ao final. Chegamos ao final por ambos. Não foi só uma atitude sua, foi minha também. Talvez erramos em ter começado, talvez erramos no meio, quiçá no final. Erramos nas nossas escolhas, errei na primária liberdade que te dei, enquanto você errou no uso dessa mesma. Erramos em continuar quando tudo estava acabado. Erramos ao nos prender em dois sentimentos; amor e saudade. Esquecemos que pra um relacionamento dar certo precisamos além disso. Erramos demasiadamente nos esforços. Erramos ao nos esquecer dos amigos, da diversão. Nos fechamos no nosso mundo. Er, talvez só um de nós. Erramos ao priorizar outras coisas aquém de nós. Errei ao priorizar meu trabalho, e tentei acertar novamente. Você errou ao priorizar sua farra, e esqueceu de tentar acertar. Errei ao lembrar dos erros do passado, inesquecíveis no mal sentido. Você errou ao repetir os erros do passado, inesquecíveis no mal sentido. Foram tantos erros que não há borracha que apague tanta mágoa. O que será de nós? Fizemos planos demasiados, esquecemos de começar a construí-los, esquecemos que para uma construção precisamos de alicerces. Será que tudo que vivemos foi em vão?
"O quê será de mim sem ele? E o que será dele sem eu? Mas dessa vez eu vou embora. E ele vai ficar sem eu." (Marinês - O quê será de nós?)
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