domingo, 28 de junho de 2026

a letter to him

Talvez a parte mais cruel de algumas histórias seja que elas nunca terminam de verdade. Elas apenas mudam de forma.

Viram silêncio onde antes havia conversa, lembrança onde antes havia presença e perguntas onde antes existiam planos.

A nossa história sempre me pareceu uma dessas.

Não foi a mais longa, e muito menos a mais fácil. Foi a que insistiu em permanecer mesmo quando tudo dizia que já deveria ter ido embora.

Você chegou sem fazer muito barulho.
E talvez tenha sido exatamente por isso que ficou tanto tempo. Não tanto tempo quanto outras histórias, mas como diria o chorão: só o que é bom dura tempo bastante para se tornar inesquecível. 

Não houve fogos de artifício. Não houve declarações cinematográficas. Houve algo muito mais perigoso: familiaridade. Nossos finais de semana, nossos domingos de preguiça, uma rotina, nossos treinos e caminhadas juntos, nossas madrugadas bebendo vinho até o amanhecer. 

Eu me acostumei com você. Com as suas mensagens. Com as suas manias. Com os seus sumiços e retornos. Com a sua presença inafastavel a partir do momento que decidimos ficar juntos de fato. Com a forma como você conseguia me fazer rir quando eu estava decidida a permanecer séria. Com suas dancinhas ridículas. Com as noites que passamos juntos. Com nossas tardes de filmes. Com você me dando força para terminar uma corrida. Com você me olhando e me fazendo sentir a pessoa mais foda do mundo. 

E, sem perceber, comecei a construir um lugar para você dentro de mim.

O problema é que algumas pessoas entram na nossa vida sem perceber que alguém está construindo uma casa para elas, e acham que estão apenas de passagem.

Enquanto isso, do outro lado, alguém escolhe as cortinas. Nós fomos um pouco isso.

Uma história feita de encontros certos em momentos errados, de sentimentos sinceros e medos igualmente sinceros. De aproximações que pareciam definitivas e afastamentos que pareciam temporários.

Até que um dia descobrimos que era exatamente o contrário. O que parecia definitivo acabou, e o que parecia passageiro permaneceu.

Porque você ainda mora em lugares que não sabe. Em algumas músicas, em algumas ruas, em alguns lugares, em algumas pessoas... Em algumas lembranças que aparecem sem pedir licença numa terça-feira ou domingo qualquer.

E isso seria profundamente romântico se não fosse um pouco ridículo também, porque a vida continuou.

O trabalho continuou exigindo, a família aparecendo, os cachorros precisando da presença, os amigos sendo presença.
O mundo continuou girando com uma impressionante falta de consideração pelos corações partidos.

E, ainda assim, diariamente você aparece nos pensamentos, como uma carta que nunca foi completamente respondida.

O mais estranho é que nunca senti falta apenas de você. Senti falta de quem eu era quando acreditava que nós daríamos certo, de como eu me senti naquele mês de julho, parecendo que o mundo estava conspirando a meu favor, ainda que os problemas externos dissessem que não. Você foi colo, presença, amor. 

Senti falta daquela versão de mim que olhava para o futuro e enxergava você nele com uma naturalidade desarmante. Ainda que eu soubesse, desde o primeiro segundo, que não fomos feitos para durar juntos. Talvez seja isso que realmente dói quando uma história acaba. Não perder a pessoa, mas perder o futuro que existia ao redor dela.

Hoje eu entendo que gostar de alguém nem sempre é motivo suficiente para permanecer.

Às vezes duas pessoas se amam e, ainda assim, não conseguem construir a mesma estrada. Uma segue andando, a outra para.
Uma espera, a outra foge. Uma fala, a outra silencia.

E aos poucos o amor vai ficando para trás, tentando acompanhar dois ritmos diferentes.

Não guardo raiva de você. A raiva exige uma certeza que nunca tivemos. Falo de você com tanto carinho para qualquer pessoa que insista em falar mal de você. Guardo uma lembrança tão maravilhosa.

O que existe é uma espécie de ternura triste, como quem observa uma casa antiga que já foi lar um dia. Você olha, sorri, lembra de momentos felizes, mas sabe que não mora mais ali.

Talvez você nunca saiba o quanto eu torci por nós, o quanto tentei encontrar caminhos, o quanto quis que a história fosse diferente.

Mas existe uma hora em que amar alguém deixa de significar insistir, e passa a significar aceitar que algumas pessoas marcam a nossa vida sem permanecer nela, que algumas histórias não foram feitas para durar.

Aceitar que o amor, às vezes, falha por falta de coragem. E talvez essa seja a nossa tragédia mais bonita.

Nós poderíamos ter sido, mas ficamos apenas na categoria das coisas que quase foram, e os "quase" têm uma estranha eternidade.

Porque o que termina, termina, mas o que quase aconteceu continua vivendo para sempre na imaginação.

Ainda penso em você, lembro de você e sigo querendo mandar uma mensagem, só para dizer "ei, ainda existe você aqui em mim". Mas não serei egoísta. 

Nós sabemos dos nossos sentimentos. Eu sei que é recíproco. Você foi embora. Você mudou coisas na sua vida que não havia mudado nunca. Porque sei o quanto isso tudo doeu em você. 

Eu conheci uma versão sua, que acho que ninguém jamais havia conhecido. E é isso que fez você se esconder, porque eu sei como você é uma pessoa boa. E conheci o suficiente para saber que você evita ter notícias minhas, porque qualquer coisa que fuja a regra te machucaria mais do que o normal. 

Mas seu espaço ainda está guardado, não porque espero por você ou porque pretendo que um dia você volte a ocupa-lo. Ao contrário. Porque sei que preencher com qualquer outra pessoa, eu não estaria sendo sincera comigo mesma, e muito menos com a outra pessoa. 

Hoje milhares de quilômetros nos separam. Porque você decidiu fugir. Mas eu também havia achado uma boa ideia, em nossa última conversa séria... Eu só não sabia que doeria tanto ter você tão longe. A uma ligação na madrugada, como volta e meia fazíamos "ei, tá acordado?". A uma fuga na madrugada, para trocarmos mais um pouco de declarações de amor e no dia seguinte fingirmos que foi só o calor do momento. 

Você me fez mudar. Eu te fiz mudar. 
Completamos nossas missões na vida um do outro. 

Mas que ainda te amo, é a mais pura verdade. E eu aceito essa condição. Eu só quero o seu bem, estarei sempre torcendo pela sua felicidade e pelo seu crescimento. Acredito mais no seu potencial que você mesmo ou qualquer outra pessoa. 


terça-feira, 9 de setembro de 2025

qual é a sua África do Sul?

e no meio de um processo de cura, veio uma viagem.

uma viagem que eu não queria, para um lugar que eu nunca quis conhecer. e, curiosamente, para um casamento.

um ano pode parecer pouco tempo… mas, quando a vida decide virar de cabeça para baixo, é tempo suficiente para nascer uma nova versão de nós mesmos.

foi exatamente isso que aconteceu.

depois de atravessar uma separação, eu precisei reaprender a andar sozinha. reaprender a olhar para mim. reaprender a sonhar. e no meio disso, minha primeira viagem internacional sozinha.

e o mais curioso é que… a África do Sul jamais esteve no meu roteiro.
nunca foi um país que eu sonhei em conhecer. para ser sincera, eu nunca tive vontade de ir.

mas foi justamente lá, nesse destino inesperado, que eu vivi uma das experiências mais incríveis da minha vida.

quando cheguei, senti como se tivesse atravessado um portal.

o vento frio de Cape Town batendo no meu rosto, a imensidão da Table Mountain me lembrando o quanto o mundo é grande, as praias infinitas, a energia vibrante das pessoas…

e, no meio de tudo isso, um casamento. eu estava ali para celebrar o amor de uma amiga, mas também estava celebrando algo muito maior: o meu próprio recomeço.

não foi só uma viagem. foii a materialização de um caminho de superação.

no último ano, eu cresci em todas as áreas: pessoal, profissional, emocional e espiritual.

descobri que eu podia ser forte sem deixar de ser sensível. que eu podia ser independente sem deixar de amar. e que eu podia reconstruir a vida… sem precisar esperar que tudo estivesse perfeito para começar.

a vida não espera. e eu também não esperei.

todos nós temos uma África do Sul para atravessar.

talvez seja um lugar que nunca sonhou conhecer, talvez seja até aquele relacionamento que nunca imaginou ter, talvez seja um desafio que nunca quis enfrentar… mas que pode se revelar a experiência mais transformadora da vida.

qual é a sua África do Sul?
qual é a travessia que vai provar para você que é possível recomeçar e crescer?

quando voltei para casa, percebi que não trouxe apenas lembranças, fotos e vídeos. trouxe a certeza de que eu sou maior do que qualquer medo.

e se em apenas um ano tanta coisa mudou… imagina o que pode acontecer nos próximos?

afinal, todos temos uma África do Sul a enfrentar.

terça-feira, 8 de julho de 2025

recomeços curam.

e foi sua presença me curou há alguns meses atrás. e você nem imagina. foi quando eu pude me sentir viva novamente, e existente. 

existente em um mundo que eu achei que nunca mais seria enxergada, em um mundo que achei que eu não pertencia mais.

e foi de mansinho. entre nossos entraves, nossos erros e nossos defeitos. nossos erros de percurso e nossos desencontros. as infelizes coincidências da vida. as felizes coincidências da vida.

aos poucos te conquistei sem querer conquistar. aos poucos você me conquistou de uma forma diferente.

apesar de todas as adversidades que apareceram, cá estamos. a gente ri juntos, temos conversas que duram horas e quando assustamos, o sol já está nascendo mais uma vez. uma química incrível.

minha ansiedade é tão grande e o coração já passou por tanta coisa que eu sinto saudades antecipadas de quando não estivermos mais juntos.

porque pode ser para uma vida inteira, como pode durar só mais um mês. mas já se foram nove meses. a maior parte deles com a gente se desapegando um do outro. talvez porque sabíamos.

sabíamos que se houvesse o dia seguinte, especialmente com nossa química, a gente se apegaria e se arriscaria. e o medo é saber que somos imensamente parecidos. e isso poderia nos machucar. 

mas estamos tentando, do nosso jeitinho, fazer isso dar certo. ganhamos um ao outro e, ainda bem, que não ganhamos um do outro. afinal, a vida não é um jogo, eu acho. e se for, quero você como meu parceiro nessa partida. 

quarta-feira, 5 de março de 2025

cinco.

jamais imaginaria que chegaríamos aqui. depois do meu deserto, você veio e entrou devagarinho na minha vida. como bom mineiro que é, veio me conquistando pelas beiradas. 

ainda não sei até quando vai durar tudo isso. pode ser mais um mês, um ano, ou talvez só mais uma semana. mas tem sido tão gostoso e tão leve, que eu queria congelar o tempo que temos juntos. 

as conversas têm sido mais complicadas, falamos dos nossos sentimentos (mais você que eu). eu ainda tenho medo, afinal a última pessoa que morou aqui dentro destruiu tudo de uma forma inimaginável. meio alcoolizados acabamos falando de tudo isso e toda essa loucura que temos vivido. você tem sido meu primeiro e último pensamento do dia. já nem tem mais graça falar com outras pessoas...

queria poder ficar no meio dos seus braços por mais um feriado inteiro, só nós dois, na cama, falando de todos os assuntos possíveis.

"minha mulher". foi assim que você falou de mim. para o seu primo, para a menina da academia que está no seu pé e para sua mãe. eu? fingi naturalidade. 

o que será de nós? vou tentando viver o presente, sem pensar muito no próximo mês ou no próximo ano.

mas já se vão cinco meses daquele primeiro dia que, coincidentemente, foi o 41º dia do deserto. o primeiro dia que eu não chorei desde o fatídico dia.

domingo, 8 de dezembro de 2024

sunday night

e no fim foi em uma noite de domingo que eu me odiei.

odiei a mim mesma, especialmente por confiar nas pessoas. por deixar tudo que aconteceu acontecer. por dar mais votos de confiança, por amar incondicionalmente. por não querer enxergar quem, de fato, era a pessoa que estava ao meu lado.

todas as vezes que fui deixada, fui eu que permiti. 

fosse por uma noite ou por uma vida inteira.

eu me odeio por ter me deixado tão vulnerável a tudo isso. todas as suas mentiras, todas as suas promessas. eu deveria ter dito não. 

fazia um tempo que eu não chorava por causa do fim. estou me acabando em lágrimas. queria simplesmente que nada disso tivesse existido.

eu odeio amar a versão que inventei de você. e odeio a sua versão real.