domingo, 28 de junho de 2026

a letter to him

Talvez a parte mais cruel de algumas histórias seja que elas nunca terminam de verdade. Elas apenas mudam de forma.

Viram silêncio onde antes havia conversa, lembrança onde antes havia presença e perguntas onde antes existiam planos.

A nossa história sempre me pareceu uma dessas.

Não foi a mais longa, e muito menos a mais fácil. Foi a que insistiu em permanecer mesmo quando tudo dizia que já deveria ter ido embora.

Você chegou sem fazer muito barulho.
E talvez tenha sido exatamente por isso que ficou tanto tempo. Não tanto tempo quanto outras histórias, mas como diria o chorão: só o que é bom dura tempo bastante para se tornar inesquecível. 

Não houve fogos de artifício. Não houve declarações cinematográficas. Houve algo muito mais perigoso: familiaridade. Nossos finais de semana, nossos domingos de preguiça, uma rotina, nossos treinos e caminhadas juntos, nossas madrugadas bebendo vinho até o amanhecer. 

Eu me acostumei com você. Com as suas mensagens. Com as suas manias. Com os seus sumiços e retornos. Com a sua presença inafastavel a partir do momento que decidimos ficar juntos de fato. Com a forma como você conseguia me fazer rir quando eu estava decidida a permanecer séria. Com suas dancinhas ridículas. Com as noites que passamos juntos. Com nossas tardes de filmes. Com você me dando força para terminar uma corrida. Com você me olhando e me fazendo sentir a pessoa mais foda do mundo. 

E, sem perceber, comecei a construir um lugar para você dentro de mim.

O problema é que algumas pessoas entram na nossa vida sem perceber que alguém está construindo uma casa para elas, e acham que estão apenas de passagem.

Enquanto isso, do outro lado, alguém escolhe as cortinas. Nós fomos um pouco isso.

Uma história feita de encontros certos em momentos errados, de sentimentos sinceros e medos igualmente sinceros. De aproximações que pareciam definitivas e afastamentos que pareciam temporários.

Até que um dia descobrimos que era exatamente o contrário. O que parecia definitivo acabou, e o que parecia passageiro permaneceu.

Porque você ainda mora em lugares que não sabe. Em algumas músicas, em algumas ruas, em alguns lugares, em algumas pessoas... Em algumas lembranças que aparecem sem pedir licença numa terça-feira ou domingo qualquer.

E isso seria profundamente romântico se não fosse um pouco ridículo também, porque a vida continuou.

O trabalho continuou exigindo, a família aparecendo, os cachorros precisando da presença, os amigos sendo presença.
O mundo continuou girando com uma impressionante falta de consideração pelos corações partidos.

E, ainda assim, diariamente você aparece nos pensamentos, como uma carta que nunca foi completamente respondida.

O mais estranho é que nunca senti falta apenas de você. Senti falta de quem eu era quando acreditava que nós daríamos certo, de como eu me senti naquele mês de julho, parecendo que o mundo estava conspirando a meu favor, ainda que os problemas externos dissessem que não. Você foi colo, presença, amor. 

Senti falta daquela versão de mim que olhava para o futuro e enxergava você nele com uma naturalidade desarmante. Ainda que eu soubesse, desde o primeiro segundo, que não fomos feitos para durar juntos. Talvez seja isso que realmente dói quando uma história acaba. Não perder a pessoa, mas perder o futuro que existia ao redor dela.

Hoje eu entendo que gostar de alguém nem sempre é motivo suficiente para permanecer.

Às vezes duas pessoas se amam e, ainda assim, não conseguem construir a mesma estrada. Uma segue andando, a outra para.
Uma espera, a outra foge. Uma fala, a outra silencia.

E aos poucos o amor vai ficando para trás, tentando acompanhar dois ritmos diferentes.

Não guardo raiva de você. A raiva exige uma certeza que nunca tivemos. Falo de você com tanto carinho para qualquer pessoa que insista em falar mal de você. Guardo uma lembrança tão maravilhosa.

O que existe é uma espécie de ternura triste, como quem observa uma casa antiga que já foi lar um dia. Você olha, sorri, lembra de momentos felizes, mas sabe que não mora mais ali.

Talvez você nunca saiba o quanto eu torci por nós, o quanto tentei encontrar caminhos, o quanto quis que a história fosse diferente.

Mas existe uma hora em que amar alguém deixa de significar insistir, e passa a significar aceitar que algumas pessoas marcam a nossa vida sem permanecer nela, que algumas histórias não foram feitas para durar.

Aceitar que o amor, às vezes, falha por falta de coragem. E talvez essa seja a nossa tragédia mais bonita.

Nós poderíamos ter sido, mas ficamos apenas na categoria das coisas que quase foram, e os "quase" têm uma estranha eternidade.

Porque o que termina, termina, mas o que quase aconteceu continua vivendo para sempre na imaginação.

Ainda penso em você, lembro de você e sigo querendo mandar uma mensagem, só para dizer "ei, ainda existe você aqui em mim". Mas não serei egoísta. 

Nós sabemos dos nossos sentimentos. Eu sei que é recíproco. Você foi embora. Você mudou coisas na sua vida que não havia mudado nunca. Porque sei o quanto isso tudo doeu em você. 

Eu conheci uma versão sua, que acho que ninguém jamais havia conhecido. E é isso que fez você se esconder, porque eu sei como você é uma pessoa boa. E conheci o suficiente para saber que você evita ter notícias minhas, porque qualquer coisa que fuja a regra te machucaria mais do que o normal. 

Mas seu espaço ainda está guardado, não porque espero por você ou porque pretendo que um dia você volte a ocupa-lo. Ao contrário. Porque sei que preencher com qualquer outra pessoa, eu não estaria sendo sincera comigo mesma, e muito menos com a outra pessoa. 

Hoje milhares de quilômetros nos separam. Porque você decidiu fugir. Mas eu também havia achado uma boa ideia, em nossa última conversa séria... Eu só não sabia que doeria tanto ter você tão longe. A uma ligação na madrugada, como volta e meia fazíamos "ei, tá acordado?". A uma fuga na madrugada, para trocarmos mais um pouco de declarações de amor e no dia seguinte fingirmos que foi só o calor do momento. 

Você me fez mudar. Eu te fiz mudar. 
Completamos nossas missões na vida um do outro. 

Mas que ainda te amo, é a mais pura verdade. E eu aceito essa condição. Eu só quero o seu bem, estarei sempre torcendo pela sua felicidade e pelo seu crescimento. Acredito mais no seu potencial que você mesmo ou qualquer outra pessoa. 


terça-feira, 9 de setembro de 2025

qual é a sua África do Sul?

e no meio de um processo de cura, veio uma viagem.

uma viagem que eu não queria, para um lugar que eu nunca quis conhecer. e, curiosamente, para um casamento.

um ano pode parecer pouco tempo… mas, quando a vida decide virar de cabeça para baixo, é tempo suficiente para nascer uma nova versão de nós mesmos.

foi exatamente isso que aconteceu.

depois de atravessar uma separação, eu precisei reaprender a andar sozinha. reaprender a olhar para mim. reaprender a sonhar. e no meio disso, minha primeira viagem internacional sozinha.

e o mais curioso é que… a África do Sul jamais esteve no meu roteiro.
nunca foi um país que eu sonhei em conhecer. para ser sincera, eu nunca tive vontade de ir.

mas foi justamente lá, nesse destino inesperado, que eu vivi uma das experiências mais incríveis da minha vida.

quando cheguei, senti como se tivesse atravessado um portal.

o vento frio de Cape Town batendo no meu rosto, a imensidão da Table Mountain me lembrando o quanto o mundo é grande, as praias infinitas, a energia vibrante das pessoas…

e, no meio de tudo isso, um casamento. eu estava ali para celebrar o amor de uma amiga, mas também estava celebrando algo muito maior: o meu próprio recomeço.

não foi só uma viagem. foii a materialização de um caminho de superação.

no último ano, eu cresci em todas as áreas: pessoal, profissional, emocional e espiritual.

descobri que eu podia ser forte sem deixar de ser sensível. que eu podia ser independente sem deixar de amar. e que eu podia reconstruir a vida… sem precisar esperar que tudo estivesse perfeito para começar.

a vida não espera. e eu também não esperei.

todos nós temos uma África do Sul para atravessar.

talvez seja um lugar que nunca sonhou conhecer, talvez seja até aquele relacionamento que nunca imaginou ter, talvez seja um desafio que nunca quis enfrentar… mas que pode se revelar a experiência mais transformadora da vida.

qual é a sua África do Sul?
qual é a travessia que vai provar para você que é possível recomeçar e crescer?

quando voltei para casa, percebi que não trouxe apenas lembranças, fotos e vídeos. trouxe a certeza de que eu sou maior do que qualquer medo.

e se em apenas um ano tanta coisa mudou… imagina o que pode acontecer nos próximos?

afinal, todos temos uma África do Sul a enfrentar.

terça-feira, 8 de julho de 2025

recomeços curam.

e foi sua presença me curou há alguns meses atrás. e você nem imagina. foi quando eu pude me sentir viva novamente, e existente. 

existente em um mundo que eu achei que nunca mais seria enxergada, em um mundo que achei que eu não pertencia mais.

e foi de mansinho. entre nossos entraves, nossos erros e nossos defeitos. nossos erros de percurso e nossos desencontros. as infelizes coincidências da vida. as felizes coincidências da vida.

aos poucos te conquistei sem querer conquistar. aos poucos você me conquistou de uma forma diferente.

apesar de todas as adversidades que apareceram, cá estamos. a gente ri juntos, temos conversas que duram horas e quando assustamos, o sol já está nascendo mais uma vez. uma química incrível.

minha ansiedade é tão grande e o coração já passou por tanta coisa que eu sinto saudades antecipadas de quando não estivermos mais juntos.

porque pode ser para uma vida inteira, como pode durar só mais um mês. mas já se foram nove meses. a maior parte deles com a gente se desapegando um do outro. talvez porque sabíamos.

sabíamos que se houvesse o dia seguinte, especialmente com nossa química, a gente se apegaria e se arriscaria. e o medo é saber que somos imensamente parecidos. e isso poderia nos machucar. 

mas estamos tentando, do nosso jeitinho, fazer isso dar certo. ganhamos um ao outro e, ainda bem, que não ganhamos um do outro. afinal, a vida não é um jogo, eu acho. e se for, quero você como meu parceiro nessa partida. 

quarta-feira, 5 de março de 2025

cinco.

jamais imaginaria que chegaríamos aqui. depois do meu deserto, você veio e entrou devagarinho na minha vida. como bom mineiro que é, veio me conquistando pelas beiradas. 

ainda não sei até quando vai durar tudo isso. pode ser mais um mês, um ano, ou talvez só mais uma semana. mas tem sido tão gostoso e tão leve, que eu queria congelar o tempo que temos juntos. 

as conversas têm sido mais complicadas, falamos dos nossos sentimentos (mais você que eu). eu ainda tenho medo, afinal a última pessoa que morou aqui dentro destruiu tudo de uma forma inimaginável. meio alcoolizados acabamos falando de tudo isso e toda essa loucura que temos vivido. você tem sido meu primeiro e último pensamento do dia. já nem tem mais graça falar com outras pessoas...

queria poder ficar no meio dos seus braços por mais um feriado inteiro, só nós dois, na cama, falando de todos os assuntos possíveis.

"minha mulher". foi assim que você falou de mim. para o seu primo, para a menina da academia que está no seu pé e para sua mãe. eu? fingi naturalidade. 

o que será de nós? vou tentando viver o presente, sem pensar muito no próximo mês ou no próximo ano.

mas já se vão cinco meses daquele primeiro dia que, coincidentemente, foi o 41º dia do deserto. o primeiro dia que eu não chorei desde o fatídico dia.

domingo, 8 de dezembro de 2024

sunday night

e no fim foi em uma noite de domingo que eu me odiei.

odiei a mim mesma, especialmente por confiar nas pessoas. por deixar tudo que aconteceu acontecer. por dar mais votos de confiança, por amar incondicionalmente. por não querer enxergar quem, de fato, era a pessoa que estava ao meu lado.

todas as vezes que fui deixada, fui eu que permiti. 

fosse por uma noite ou por uma vida inteira.

eu me odeio por ter me deixado tão vulnerável a tudo isso. todas as suas mentiras, todas as suas promessas. eu deveria ter dito não. 

fazia um tempo que eu não chorava por causa do fim. estou me acabando em lágrimas. queria simplesmente que nada disso tivesse existido.

eu odeio amar a versão que inventei de você. e odeio a sua versão real.


segunda-feira, 28 de outubro de 2024

jogo

peça mais uma vez para eu largar esse jogo de lado. fala que não consegue ficar mais um dia sem pensar em nós rolando na cama. desabotoa minha blusa e me chama para um banho com você. me mande uma mensagem daquelas durante a tarde, que eu não consiga segurar o riso safado no meio de uma reunião. fala com todo seu jeito mineirinho que está com saudades. peça de novo para eu não viajar. repita novamente que tem ciúmes de mim. abra o vinho, e repita aquela massagem nas costas que só você sabe fazer. deixa eu, acidentalmente, apertar seus braços enquanto a gente conversa amenidades na sala. desnude-me. não só de roupas, mas de alma. 

sábado, 19 de outubro de 2024

fica.

fica comigo essa noite. deixa eu sentir você por inteiro. ocupa o espaço que meu passado deixou na minha cama. eu consigo me sentir novamente viva dentro dos seus braços fortes. coloca de novo esse sorriso safado na minha cara. só mais umas três vezes essa noite. amanhã pela manhã eu deixo você ir. faça eu ficar na ponta dos pés para sentir o gosto do seu beijo. vamos rir e nos divertir mais um pouco, falar sobre insanidades e sobre as nossas rotinas de trabalho. prometo que deixo você me deixar mais uns três roxos. um bem na pontinha do peito e os outros dois nas minhas coxas. amanhã, às três da tarde, eu te envio uma foto de visualização única falando que você deixou vestígios. você repete que já está com saudades e quer me ter de novo. brinca com meus cachorros ali na sala e depois venha comigo para o quarto. eu acendo um cigarro enquanto você beija minhas costas. repete mais uma vez como sou gostosa, mesmo sabendo que não sou e o gostoso aqui é você. toma uma cerveja comigo que eu deixo você ocupar uma gaveta. pergunte mais uma vez quem é o insano que me deixou. repita sobre como você sempre me quis, ainda que eu duvide da sua palavra. vou perguntar pela milésima vez o que quer dizer sua tatuagem, e você vai me contar pela milésima primeira vez que a das costas veio primeiro. interrompa minha ligação de trabalho com um beijo na nuca, me segurando pela cintura. fala que está se apaixonando, mesmo eu implorando para que não. quero ficar deslizando minhas mãos nos seus braços e peitos fortes, enquanto você me beija. ocupe um espaço que não é seu, e já não é de mais ninguém. deixa eu viver mais uma noite com você, enquanto a gente não se cansa dessa brincadeira a dois. e não deixe ninguém saber. somos só nós dois e o mundo lá fora tanto faz. 

~ Just imagination ~

terça-feira, 10 de setembro de 2024

deserto

As feridas que você me causou ecoarão pela eternidade.
Eu sinto muito. Mas de todas as pessoas que passaram na minha vida, você foi a pior.
Por muito e muito tempo (e bota tempo nisso) eu acreditava que você era uma boa pessoa. Uma boa pessoa com seus traumas, vícios, problemas, fragilidades, assim como qualquer outra pessoa, mas sempre acreditei que você tinha um bom coração.

Como eu pedi a Deus por você...
Como eu quis fazer isso dar certo...
Como eu comemorei e fiquei feliz quando você passou a ser um homem de fé...

E veio a enxurrada.
O meu deserto. 

E você sequer respeita o meu deserto.

Eu quis muito tirar a venda dos seus olhos. Falei para as pessoas que seria um momento de fragilidade e que logo isso iria passar, você veria com clareza novamente.

Pedi a São Rafael que soprasse fel em seus olhos, assim como ele fez com Tobias. Que ele curasse suas feridas, assim como fez com Sara. 

Não adiantou.

Você me feriu. Uma ferida que não sei se algum dia irá cicatrizar. Aliás, várias feridas. Nunca me senti tão traída na vida. 

Eu, sempre tão sonhadora, enxergando o mundo com óculos rosa, de repente não consigo confiar em mais ninguém.

Às vezes me esqueço e procuro você pela casa.

Perco o sono. Choro o dia todo. Sinto raiva. Sinto amor. Sinto ódio. Sinto saudade. 

Tem um vazio aqui.

Um verdadeiro deserto. 

Parece um pesadelo que eu só queria acordar, mas já sei que não. Foi o fim.

Talvez o fim estava lá desde o começo, e eu só não quis enxergar. 

Tivemos uma bonita história. Uma pena que você conseguiu ferrar tudo no final. Sinto muito.

Um dia eu vou acabar de passar pelo deserto. Ele é necessário. 

domingo, 26 de abril de 2020

tempos de pandemia



As lágrimas rolam abaixo e eu já nem me lembro mais qual foi a última vez que me senti viva.

Viver no automático traz grandes problemas, pois tudo passa a ser no automático.

Talvez eu tenha sido feita para ser uma pessoa isolada do mundo, esses tempos de pandemia estão mostrando isso. 

Talvez se sentir vivo seja apenas um hype meio louco da galera e na maior parte do tempo a onda é se sentir assim mesmo. 

Talvez eu só não achei meu lugar no mundo. Ainda. Ou achei e estou longe suficiente pra não me sentir segura e nem viva.

Não caibo aqui, não caibo mais onde eu cabia...
.

sábado, 1 de setembro de 2018

300

A 300 passos de nós eu decidi que nao quero mais. Nao dessa forma.

Nao quero, nao me faz bem, nao tem acontecido como acredito que deva ser.

As vezes precisamos de mais. Um pouco mais, apenas. Nao é algo dificil.


segunda-feira, 20 de agosto de 2018

anos pares


Os anos pares são os mais difíceis. 

Com certeza algo da astrologia conseguiria explicar o motivo. Mas se quero saber? Acho que não. Prefiro que chegue logo dia 31 de dezembro.

Você veio me assombrar novamente. Meu Deus! Isso nunca terá um fim? Nos conhecemos em um ano ímpar, há mil anos atrás. Quase metade da minha vida atrás.

Mas dessa vez foi diferente. Me peguei interpretando esse sonho por algumas vezes, antes de colocar em um papel. 

Viajávamos por estradas diferentes. Completamente distintas. Parei em um posto meio abandonado, estava em iminente perigo. Escutei a sua voz. Te chamei. Você me salvou.

Conversamos por algumas horas. Me senti tão bem, tão confortável. Me senti em casa. Nos despedimos. Seguimos nossos rumos. Acordei.


O cheiro do café

2o-o8-2o18



O cheiro que sobe do café expresso é exatamente o que me traz todas aquelas memórias.
Dias que me senti extremamente feliz.

Os dias cinzas, que de cinza tinham somente a cor no céu. As árvores desfolhadas, mas que traziam um conforto que jamais encontrei em nossa diversidade brasileira.

Dias como esses atuais me fazem ter certeza a qual lugar pertenço. Viver acompanhada, mas se sentindo sozinha ainda é um problema.

Todos os caminhos me levam para longe. Há quanto não dizia como me sentia? A folha em branco continua sendo a melhor companhia e amiga.

Vivemos fornecendo sorrisos falsos, uma rotina desgastante, um ciclo sem fim. Faz falta.

Faz falta uma conversa, uma companhia. O sonho vem e ainda esfrega umas verdades em nossa cara.

Já não sei mais.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Carta para um anjo

13-11-2o17

Meu filho, 

Você foi o melhor acontecimento da minha vida. Nesse momento é muito difícil pensar, mas preciso conversar com você. Foi tudo tão rápido, tão breve, e você foi tão amado, amor que serviria para uma vida toda você sentiu em algumas semanas. 
Você chegou já sendo o protagonista da minha vida e causando na surpresa preparada pelo seu papai. E tive medo, mas foi tudo melhor que o esperado. Você nos uniu mais ainda, nos deu mais força ainda para seguir em frente, nos mostrou como somos queridos por nossas famílias, que agora, é uma só. Nos mostrou como somos queridos por nossos amigos e como um amor pode ser tão puro sem nem conhecer o rosto, a fala, o jeito. 
Jamais poderemos saber como você seria, se teria os olhos da mamãe ou o nariz do papai. Mas sempre saberemos, mesmo que nosso amor acabe um dia, que você nos ensinou o real significado do amor.
Você veio para nos ensinar e foi embora nos ensinando mais ainda. 
Você mostrou a esperança e deu sabedoria para entender os planos de Deus. 
Sempre será nosso anjinho. Cuida bem de nós, meu filho. Te amo para sempre. 

Mamãe. 

domingo, 24 de maio de 2015

sem lenço e nem documento - capítulo II

Cecília chegou em Torres e logo desceu na rodoviária. Encantou-se com o lugar, o clima e o sotaque gaúcho. Não sabia onde, por quanto tempo, nem o que faria ali. Mas era exatamente esse o objetivo.

Antes de deixar sua cidade natal, Cecília procurou seu então namorado e colocou um ponto final no relacionamento:
- Jorge, precisamos conversar.  
- Diga, Cecília.
- Decidi que não te quero mais. Cansei. Esgotei todas as possibilidades de darmos certos. Esperava ter um futuro com você, ter filhos, mas tudo que você fez, foi trazer péssimos pensamentos e vontades de hábitos antigos que já não fazem mais parte de mim. Não quero isso mais na minha vida. Quero ser feliz, independente se sozinha ou com alguém. Fiz de tudo, Jorge. Juro por Jesus Cristinho que está lá no céu, fiz de tudo. Entrego esse namoro nas suas mãos com o coração partido. Suas vontades passaram por cima de nossos sentimentos, e eu sempre quis o mundo. Mas o que tive com você foi um mundo fechado. Quis muito um futuro ao seu lado. E olha que loucura, pensei em abrir mão de todos os meus sonhos, por você. Sobrepus os seus sonhos aos meus, e não tive retorno. Sinto muito. Não por mim, pois sei que fiz o que pude - mesmo sendo louca às vezes. Sinto muito por você, Jorge. Quem acordará amanhã se lamentando por este fim, pensando que poderia ter feito diferente, será você. Amanhã acordarei em uma cidade bem longe daqui, bem longe de você, bem longe de toda essa loucura que minha vida se tornou. Eu te amei, te amei muito. Seja melhor com a próxima pessoa que você amar, ou seja melhor com você mesmo. Você merece ser feliz. Você precisa tratar esse vício seu. Você merece ser feliz com quem quer que seja, Jorge. 

E assim foi embora. Jorge a olhou atônito. Nunca havia visto Cecília tão decidida, sem olhar para trás. Sem deixá-lo dizer uma palavra. Mas o segredo de Cecília conseguir ir embora sem olhar para Jorge, residia justamente aí. Não deixar as palavras dele amolecerem seu coração novamente. Cecília realmente precisava ir embora.

E foi.

Primeira coisa que Cecília fez ao chegar em seu primeiro destino, foi procurar um hostel para se hospedar. Era maio, e logo foi informada que estava acontecendo um Campeonato de Balonismo em Torres. Cecília se encantou, sempre achou balões lindos e mágicos, que davam a possibilidade de enxergar mais longe. Logo chegou em uma reunião em volta de uma fogueira à noite. Já quase na beirada da praia. E lá sentou e começou a conversar com todas as pessoas à sua volta.

Todos estavam imensamente curiosos, o que aquela mineira fazia ali perdida e sozinha? Então começaram o interrogatório: "nome, idade, cidade de origem, cidade de destino, o que fazia da vida...". Só não sabiam que Cecília omitiria a maior parte da verdade. Cecília não queria mais ser a velha Cecília, a Cecília de seus pais, a Cecília de sua cidade no interior de Minas, a Cecília de Jorge, a Cecília de seus amigos, a Cecília de seu curso. Cecília queria ser somente Cecília. 

sábado, 7 de dezembro de 2013

past and furious

de repente eu era uma criança novamente. totalmente entregue aos meus sentimentos, totalmente entregue às emoções e todo o momento que ali se passava. uma mensagem. de repente parecia que tinham acabado de me dar uma nova boneca. outra mensagem. um vestido novo para minha nova boneca. uma lembrança às oito da manhã. e era a tão sonhada casa da barbie. mas nem tudo era tão cor-de-rosa. só que as coisas começaram a acontecer no momento errado. eu sempre disse a ele que o valor viria com o tempo, e com outra pessoa. ele nunca me escutou... achava bobagem, achava mais uma besteira que eu soltava aos quatro ventos. ele conheceu outras pessoas... várias. eu conheci alguém. especial. as várias passaram, assim como todas as outras de sua vida. o meu especial veio para ficar. e dessa vez queria que ficasse. de repente ele viu que eu era a especial, mas de repente ele não era mais o meu especial. pensava dia e noite como eu pude lhe esquecer tão rápido. mal sabia ele que lutei até o último instante por nós. sonhei, fiz planos, e tentei concretizá-los. enquanto ele, ao perceber como as coisas andavam rápido, simplesmente fugiu. ele vivia fugindo. de lugares e de pessoas.

ele ainda quer, eu ainda sinto. mas não é mais hora. passou... tudo passou.



[imagination]

quinta-feira, 21 de março de 2013

Eu sinto pena de você, não somente pelo fato que você é só mais um babaca que passa pela minha vida, mas sim pelo fato que eu insisto em deixar você nela até aparecer outro babaca melhor que você. Sinto pena de saber que todos te invejam pelo que sinto e pela forma que me entrego a você, e você, bobo, nem nota.
Sinto pena pelo modo que você leva a vida, achando que fotos com meninas bonitas, vai te trazer sucesso e felicidade. Sinto pena por você pensar que ser ídolo dos seus amigos, te torna o mais novo Brad Pitt. Sinto pena por você achar que todas elas estão ao seu lado porque é bonito e forte, mas esquece que só querem sua bebida e seu status. Nenhuma delas nunca levantou e foi com você procurar um emprego, nenhuma delas esteve ao seu lado em uma tarde de domingo. Todas elas, assim que passou o efeito da vodka, juntaram as coisas e foram contar vantagens às amigas, de como conseguiram entrar no camarote só por dormir com uma pessoa à noite.
Sinto pena de você. Sinto pena de como você me perde a cada dia que passa, como você age exatamente igual a todos os outros, e como sei que você vai se sentir ao me ver com outra pessoa. E só aí eu vou olhar e pensar "coitado, me teve, perdeu e nem pode se lamentar por ter feito tudo", e ficarei mais uma vez orgulhosa de ter feito tudo ao meu alcance. Mas continuarei sentindo pena de você. Digno de pena.

Mas enquanto eu não acho outro babaca melhor que você, além de pena, sinto saudade. Vê se decide logo se "preparo um café, ou preparo a vida".

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Vivido.

Há muito tempo me fizeram acreditar que o melhor amor é aquele amor que não foi vivido, aquele que nunca foi usado e nunca foi machucado. Às vezes por isso eu segui e continuei gostando e acreditando em um amor por um certo alguém por sete anos seguidos. Achando que aquilo sim era amor.

Há quase um mês, me mostraram que o melhor amor é aquele amor vivido, principalmente intensamente. Aquele que a gente dorme e acorda do lado da pessoa, e mesmo assim sente saudade. Aquele amor que sente saudade quando separados por duas portas, esperando ansiosamente o dia amanhecer para matá-la. Aquele amor que a gente acorda de manhã, bem cedinho, pra poder sentir mais falta. Aquele amor que a gente não quer dormir nunca mais, para só então poder extrair todo o amor. Aquele amor que a gente dorme pro tempo longe passar bem depressa.

Um amor ainda não vivido por inteiro, que cada dia se mostra mais, que cada dia vive-se mais e aprende-se a amar juntos. Um amor construído juntos, sem barreiras, composto apenas de saudade e de bem querer. Um amor que foi imaginado, que teve medo da química do beijo não dar certo. Um amor que teve medo até do amor não dar certo. E no fim, foi tudo melhor que o imaginado.

Um amor que cada dia promete mais, e cumpre. É sempre melhor que as expectativas. Que dois dias longe, parecem uma eternidade. Um amor que me faz ser diferente, querer ser uma pessoa melhor. Um amor que me tira a raiva, a mágoa, a sede de vingança, que me fez melhor e me faz melhor a cada dia.

Não sei se vai durar um mês ou se por toda eternidade, sei que esse amor tem sido o melhor amor que já tive. Assim continuará. No que depender de mim, sim.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Quando decidi que eu tinha que ir naquela viagem e ganhá-la a qualquer custo, eu não imaginava que conheceria tantas pessoas especiais. Eu imaginava que curtiria muito, assim como as outras, mas que seria só mais uma viagem. Não imaginava que conheceria pessoas que eu levaria pro resto da vida.

Eu me pergunto se não fosse uma ressaca, uma vontade inevitável de acender um cigarro, e uma falta de um isqueiro, eu não teria te conhecido aos quarenta e cinco minutos do segundo tempo. 

Quando me apresentaram você, eu senti uma coisa diferente, juro que não foi resultado de muita bebida misturada com a ressaca dos dias anteriores. Conversamos um bom tempo, sem demonstrarmos nada no sentido de ficarmos juntos. Fiquei triste de ter perdido de vocês, mas hoje vejo que não cai uma folha sem que Deus queira. Nada disso estaria ocorrendo.

Voltei para casa, e diz você que é tudo culpa minha, que eu comecei essa bagunça quando disse para combinarmos uma festa no Sudeste. Mal sabe você que mandei isso para todas as pessoas (homens e mulheres) que conheci, né? Quem tudo começou foi você, dizendo que sentia saudade de uma coisa que nunca teve. Comecei a sentir saudade também. Comecei a sentir falta de você em uma mensagem, em uma foto... Fiquei três meses sem ter vontade de ter alguém além de você.

Sofri quando você sumiu, fiquei triste por ter me envolvido com outras pessoas. Tive dor de cotovelo por isso. Mesmo com raiva de você, eu continuava vendo suas coisas, suas fotos, procurando saber de você. E você reapareceu.

Diz você que eu só te procurei porque eu tava com raiva do último babaca que surgiu na minha vida. Vou confessar: foi mesmo! Mas grande favor ele me fez, e espero que tenha sido um favor mesmo!

Então você veio. Não acreditei que você viria, até ir te ver. E foi tudo tão perfeito, e continuou sendo tudo tão perfeito... Você me mostrou que eu podia ser feliz novamente, viajou 111km quatro vezes só pra me ver em dois dias!

E você foi embora. Eu não sei ainda o que somos, o que sei é que somos. 

Suas atitudes antes me mostraram uma coisa, hoje me deixam em dúvida. Suas palavras quase conseguem me convencer por inteira. Eu sinto sua falta. E acho impressionante como em tão pouco tempo você consegue fazer tanta falta na vida de alguém. 

Estou contando as horas para você chegar e podermos sentar e conversar sobre o que somos. Se somos alguma coisa e o que posso ou não esperar de você. Essas dúvidas tem me matado, sabia? 

Sei que tô gostando de você e me sentindo feliz como há muito não me sentia, só espero que não seja mais uma furada que eu tenha embarcado.

Vem logo, tô te esperando.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

"...Aí ele chega, tão lindo. E vai embora, tão feio. E liga, tão bobo. E some, tão especial. E eu morro, ainda que não ligue a mínima. E eu não tô nem aí, ainda que pense o tempo todo em não estar nem aí."



 t.b.