domingo, 28 de agosto de 2011

Decidido.

Não consigo te esquecer, aliás, nem sei se tentei realmente te esquecer. Isso é fato. Essa história vem se arrastando por anos a fio e até hoje nenhum de nós dois teve coragem de colocar um ponto final, ou até mesmo ter colocado reticências.

Depois de milhares de brigas, milhares de minutos sem se falar, e milhares de horas boas que passamos juntos, eu decidi. Se você não consegue se decidir se gosta mais de azul ou de verde, eu decidi que gosto mais de você. E que é você a pessoa que Deus escolheu pra eu amar. Pode ser que isso um dia se acabe, se nada disso for nutrido. Mas pode ser que não...

E decidi te falar isso agora. Decidi pois pode ser muito tarde quando eu desejar expressar tudo que sinto por você. E principalmente porque não consigo mais conviver com essa eterna dúvida se você gosta de mim de alguma forma, ou me usa só pra passar seu tempo.

Eu te amo. Desde o dia que te vi pela primeira vez. Desde antes disso. Desde nossa primeira conversa em 07-09-05. Eu tive pretensão de ter você só pra mim, e tive medo também de ter você só pra mim. Foi somente por este motivo que eu abri mão tão fácil de você. Mas não foi fácil pra mim. Juro que não... Cada ligação confidencial que você recebeu, foi minha. Cada sonho que tive, foi com você. Todos os dias ao acordar, pensei em você. Mesmo quando haviam outras pessoas em minha vida.

Eu também tentei te esquecer, tentei muito. Supri sua falta com outros caras, outras festas, outros amigos, outras pessoas, outros lugares, outras camas. Mas mesmo assim não consegui esquecer. Cada cara que apareceu na minha vida, eu procurava por você. As festas que fui eu esperava encontrar alguém que me fizesse suspirar como suspiro por você. De todos os amigos que tive, você eu nunca consegui substituir. Os lugares que fui procurando te esquecer, me fizeram lembrar mais de você. Fui longe. Andei mais de três mil quilômetros pra constatar que caras bonitos, ricos e legais não são você. Em outras camas procurei somente o lustre do seu quarto pendurado no teto. Em alguns achei, mas foi tudo tão diferente... E achei também pendurado no teto do meu quarto. Isso me faz sorrir toda noite antes de dormir. Temos o lustre do quarto em comum!

Eu sei que um dia concordei quando você disse que não daríamos certo agora. Mas aquele agora passou, e agora? E agora um segundo depois? Alguma hora daremos certo? Não sei se você tem vontade de algum dia tentar viver esse amor tão reprimido, mas eu tenho. Eu sinto como se isso fosse bastante importante pra pelo menos eu seguir em frente. Não sei se você possui os mesmos sentimentos por mim, às vezes sim, mas com menos intensidade.

Também não sei mais se você tem alguém em sua vida. E às vezes gostaria de nem te perguntar, mas sei ser necessário caso a gente tenha que dar um passo adiante, seja bom ou ruim.

Desculpa, me perdi em tantos pensamentos. Se eu fosse te falar tudo que penso seriam cinco dias pra te dizer tudo. Em suma é isso. Eu te amo, eu te quero pra mim. Simples assim, como 1+1=2. Não sei se você me ama, e não sei se você me quer pra você. Mas se você disser que sim a qualquer uma das duas, eu serei sua. Só sua. E com toda certeza, serei diferente como jamais fui com ninguém. Farei tudo pra te fazer feliz. O que for necessário.

Essa é a minha última tentativa. Simplesmente tenho medo de te perder pra sempre. Pra outras pessoas...

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Periférico

Pareço um sapo cego dando uma linguada no ar, não vejo o inseto, mas sei que ele está lá. Molho o ar na espera de lamber sua coxa, a pele com menos pêlos atrás do seu joelho. Lamber sua virilha, sentir seu cheiro, brincar com seu umbigo perfeito e boquiaberto por causa da barriguinha. Quem sabe descobrir alguma sujeirinha ali no umbigo, um resto de algodão, um resto de salgadinho vagabundo, um resto de prazer. Eu te amava depois do banho, eu te amava indo trabalhar sujo de mim, eu te amava humano e eu te amava, sobretudo, alienígena e com sono de sentir a vida.

Sinto saudades de respirar o mais profundo possível, como já escrevi antes, perto de sua nuca. E descobrir novidades sem nome e sem solução. Sinto saudades de me perder tentando entender de que tanto você sorria, de que tanto você brilhava, de que tanto você se perdia e se escondia.

Peço licença ao meu ódio tão feio e tão infinito para te amar só mais uma vez. Quero te amar sozinha aqui, na minha casa nova, em minha quase nova vida. Quero esquecer todo o nada que você representa e dar contorno aos desenhos que não saem da minha cabeça. Nunca entendi seu coração, nunca entendi seus olhos, nunca entendi suas pernas, mas só por hoje queria poder lamber sua fumaça para que ela permanecesse mais, pesasse mais.

É libertador esquecer meu desejo de vingança, a vontade que tenho de explodir sua vida, o vício que tenho de passar mil vezes por dia, em pensamento, ao seu lado. E pisar em cima da sua inexistência e liberdade. Chega disso, só pelo tempo em que durarem estas letras e a música que coloco para reviver você, vou te amar mais esta vez. Vou me enganar mais uma vez, fingindo que te amo às vezes, como se não te amasse sempre.

Eu nunca aceitei a simplicidade do sentimento. Eu sempre quis entender de onde vinha tanta loucura, tanta emoção. Eu nunca respeitei sua banalidade, nunca entendi como podia ser tão escrava de uma vida que não me dizia nada, não me aquietava em nada, não me preenchia, não me planejava, não me findava.

Nós éramos sem começo, sem meio, sem fim, sem solução, sem motivo. Ainda assim, há meses, há séculos que se arrastam deixando tudo adulto demais, morto demais, simples demais, exato e triste demais, eu sinto sua falta com se tivesse perdido meu braço direito.

Esse amor periférico, ainda que não me deixe descoberto o peito, me descobre os buracos. Não são de suas palavras que sinto falta. Não é da sua voz meio burralda e do seu bocejo alto demais para me calar e me implorar menos sentimentos. Não é, tampouco, do seu abraço. Sua presença sempre deixou lacunas e friagens que zumbiam macabramente entre tantas frestas sem encaixe.

Não sinto saudades do seu amor, ele nunca existiu, nem sei que cara ele teria, nem sei que cheiro ele teria. Não existe morte para o que nunca nasceu.

Sinto falta mesmo, para maior desespero e inconformismo do meu coração metido a profundo, de lamber suas coxas, a pele mais lisa atrás dos joelhos. Lamber sua virilha, sentir seu cheiro, brincar com seu umbigo, respirar sua nuca, engolir sua simplicidade, me rasgar com sua banalidade, calar sua estupidez, respirar seu ronco, tocar sua inexistência, espirrar com sua fumaça.

Sinto falta da perdição involuntária que era congelar na sua presença tão insignificante. Era a vida se mostrando mais poderosa do que eu e minhas listas de certo e errado. Era a natureza me provando ser mais óbvia do que todas as minhas crenças. Eu não mandava no que sentia por você, eu não aceitava, não queria e, ainda assim, era inundada diariamente por uma vida trezentas vezes maior que a minha. Eu te amava por causa da vida e não por minha causa. E isso era lindo. Você era lindo.

Simplesmente isso. Você, uma pessoa sem poesia, sem dor, sem assunto para agüentar o silêncio, sem alma para agüentar apenas a nossa presença, sem tempo para que o tempo parasse. Você, a pessoa que eu ainda vejo passando no corredor e me levando embora, responsável por todas as minhas manhãs sem esperança, noites sem aconchego, tardes sem beleza.

Sinto falta da raiva, disfarçada em desprezo, que você tinha em nunca me fazer feliz, sinto falta da certeza de que tudo estava errado, mas do corpo sem forças para fugir, sinto falta do cheiro de morte que carregávamos enquanto ainda era possível velar seu corpo ao meu lado, sinto falta de quando a imensa distância ainda me deixava te ver do outro lado da rua, passando apressado com seus ombros perfeitos. Sinto falta de lembrar que você me via tanto, que preferia fazer que não via nada. Sinta falta da sua tristeza, disfarçada em arrogância, de não dar conta, de não ter nem amor, nem vida, nem saco, nem músculos, nem medo, nem alma suficientes para me reter.

Prometi não tentar entender e apenas sentir, sentir mais uma vez, sentir apenas a falta de lamber suas coxas, a pele lisa, o joelho, a nuca, o umbigo, a virilha, as sujeiras. Sinto falta do mistério que era amar a última pessoa do mundo que eu amaria.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Ele é de um jeito que ainda não sei, porque nem vi. Vai olhar direto para mim. Ele vai sentar na minha mesa, me olhar no olho, pegar na minha mão, encostar seu joelho quente na minha coxa fria e dizer: vem comigo. É por ele que eu venho aqui, boy, quase toda noite. N...ão por você, por outros como você. Pra ele, me guardo. Ria de mim, mas estou aqui parada, bêbada, pateta e ridícula, só porque no meio desse lixo todo procuro o verdadeiro amor. Cuidado, comigo: um dia encontro.


CFA.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

"Quando enfim penso que estou me acostumando,
que estou te esquecendo, você ressurge de forma inesperada ocupando todos os espaços."

- Caio Fernando Abreu
Ouvir seu nome mesmo quando se referem a outra pessoa, acelera meu coração.

:(